Rumo a uma governança responsável da inteligência artificial generativa no ensino superior
Resumo
A expansão da inteligência artificial generativa no ensino superior está transformando as formas de produzir, validar e avaliar conhecimento, especialmente em universidades públicas latino-americanas marcadas por desigualdades tecnológicas e marcos regulatórios emergentes. Este ensaio desenvolve uma análise documental sistemática de marcos internacionais recentes, literatura acadêmica (2020–2025) e documentos institucionais, selecionados segundo critérios de atualidade, pertinência temática e diversidade regional, com foco em governança, ética, transparência algorítmica e autoria aumentada responsável. Os resultados evidenciam lacunas persistentes entre políticas declarativas e sua implementação prática, particularmente em proteção de dados, explicabilidade, sustentabilidade ambiental e letramento crítico em IA. Além disso, estratégias baseadas em proibição total ou adoção acrítica revelam-se insuficientes para garantir integridade acadêmica e desenvolvimento de capacidades. Nesse contexto, a noção de autoria aumentada surge como alternativa ética e pedagógica à autoria exclusivamente humana, destacando a co-criação reflexiva entre pessoas e sistemas de IA sob critérios de rastreabilidade, supervisão humana significativa e valor intelectual agregado. Com base na síntese crítica, propõe-se um modelo de governança universitária responsável, estruturado em cinco dimensões: transparência algorítmica, autoria aumentada, proteção de dados, sustentabilidade digital e participação democrática. A discussão indica que governança adaptativa e letramento crítico em IA são condições necessárias para integrar essas tecnologias sem comprometer integridade, autonomia cognitiva ou responsabilidade intelectual.
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