A inteligência artificial generativa no ensino universitário: uma revisão das transformações e desafios
Resumo
A irrupção da inteligência artificial generativa (IAG) no ensino superior desencadeou uma profunda transformação nos processos de ensino e aprendizagem. Ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini estão a ser incorporadas em ambientes presenciais, virtuais e híbridos, gerando novas dinâmicas pedagógicas, epistemológicas e éticas. Este artigo tem como objetivo analisar criticamente o impacto da IAG no ensino universitário a partir de uma perspetiva humanista, situada e inclusiva. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura científica publicada entre 2021 e 2025, seguindo o protocolo PRISMA. As bases de dados consultadas incluíram Scopus, RIED e Dialnet. Foram aplicados critérios de inclusão que privilegiaram estudos empíricos, revisões sistemáticas e ensaios teóricos com enfoque ético-pedagógico. A amostra final incluiu 18 artigos categorizados em 4 eixos: transformação pedagógica, perceção docente-estudantil, desafios éticos e propostas inovadoras. Os resultados evidenciam que a IAG está a modificar significativamente a prática docente, promovendo a personalização da aprendizagem, a automatização de tarefas e a geração de conteúdos adaptativos. No entanto, também surgem preocupações sobre a desumanização do vínculo educativo, a transparência algorítmica, a equidade no acesso e os preconceitos epistémicos. São documentadas experiências inovadoras que integram a IAG em simulações, tutorias automatizadas e narrativas inclusivas. Conclui-se que a IAG representa uma transformação ontológica do ato educativo. A sua integração exige competências éticas, digitais e filosóficas, bem como uma pedagogia do discernimento que preserve o julgamento docente, o vínculo humano e a justiça epistémica em contextos diversos.
Direitos de Autor (c) 2025 Zulay del Valle Calderón Carrero

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