Inteligência artificial generativa no ensino universitário: percepções, aplicações práticas e desafios éticos e pedagógicos

Palavras-chave: inteligência artificial (IA), análise temática qualitativa, desenho de materiais didáticos, alfabetização digital crítica no ensino superior

Resumo

O estudo analisa a percepção de docentes universitários sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) no desenho de materiais didáticos, com o objetivo de compreender seus níveis de adoção, atitudes e barreiras diante dessas ferramentas emergentes. A partir de uma abordagem qualitativa interpretativa e por meio da análise temática de conteúdo, examinaram-se as respostas abertas de 206 docentes participantes do seminário “Integração da Inteligência Artificial no Ensino Superior” da Universidade Autônoma de Sinaloa. Os resultados apontam uma adoção incipiente da IA, caracterizada pelo uso instrumental para elaborar apresentações, avaliações e conteúdos textuais. Contudo, emergem imaginários pedagógicos que reconhecem seu potencial para personalização, inovação e acessibilidade educacional. As principais barreiras identificadas são de ordem formativa, ética e temporal, o que sugere a necessidade de fortalecer a formação docente sob uma perspectiva pedagógica e não apenas técnica. Os achados indicam que a incorporação da IA na docência universitária requer um processo de alfabetização digital crítica que promova a reflexão ética e a criatividade pedagógica. Recomenda-se impulsionar programas institucionais de formação continuada e estudos comparativos que analisem a evolução dessas práticas em distintos contextos disciplinares na educação formal.

Biografias Autor

Abel Antonio Grijalva Verdugo, Universidade Autônoma do Oeste, Culiacán, México

Professor pesquisador em tempo integral na Universidade Autônoma do Oeste, no México, e membro do Sistema Nacional de Pesquisadores, Nível II (SECIHTI). Doutor e mestre em Educação, desenvolve pesquisas sobre processos educacionais, comunicação, alfabetização midiática e digital, inclusão social e empoderamento comunitário em contextos regionais e vulneráveis. Foi bolsista de pós-doutorado Merit do Governo de Quebec para realizar uma estadia na Universidade McGill, no Canadá. Líder do Corpo Acadêmico “Educação e processos psicossociais”, autor de livros acadêmicos e membro de redes nacionais e internacionais de pesquisa em educação, comunicação e alfabetizações digitais.

César Roberto Jiménez Ramírez, Universidade Autônoma de Sinaloa, Culiacán e Mazatlán, México.

Doutorando em Educação pela Universidade Autônoma de Sinaloa, no México. Mestre em Tecnologia Educacional e Bacharel em Ciência da Computação. Atua como docente no ensino superior e em cursos de pós-graduação, com experiência em design tecnopedagógico e coordenação de ambientes virtuais de aprendizagem voltados para programas educacionais virtuais e projetos de educação continuada. Suas linhas de pesquisa concentram-se na usabilidade pedagógica de cursos virtuais, na percepção dos alunos sobre a formação online e na integração da inteligência artificial no ensino. Além disso, é membro de grupos de pesquisa especializados em tecnologia educacional.

María Guadalupe Soto Decuir, Universidade Autônoma de Sinaloa, Culiacán e Mazatlán, México.

É doutora em Educação pela Universidade Autônoma de Sinaloa e professora universitária com trajetória nas áreas de educação, tecnologia e inovação pedagógica. Seu trabalho gira em torno da alfabetização digital, competências docentes, inclusão educacional e transformação do ensino superior na América Latina. Vinculada à Universidade Autônoma de Sinaloa, seu perfil acadêmico destaca a linha de Educação e tecnologia. Participou de pesquisas sobre experiências formativas, subjetividades digitais e pedagogias críticas, contribuindo para debates internacionais sobre justiça educacional, cidadania digital e aprendizagem nas sociedades contemporâneas, com uma abordagem contextualizada, ética e interdisciplinar.

Juan José Ramírez Gámez, Universidade Pedagógica do Estado de Sinaloa, Culiacán, México.

Doutor em Desenvolvimento Educacional e professor-pesquisador na Universidade Pedagógica do Estado de Sinaloa. É membro do Sistema Nacional de Pesquisadoras e Pesquisadores (SNII), na categoria Candidato, e atualmente realiza um estágio de pós-doutorado na Universidade Autônoma do Oeste. Sua linha de pesquisa concentra-se na educação inclusiva, na formação de professores e na análise de barreiras à aprendizagem e à participação, com interesse em figuras emergentes no campo da inclusão educacional. Publicou artigos e capítulos sobre inclusão educacional, violência e ensino superior, além de atuar como palestrante e orientador de teses em diversos espaços acadêmicos.

Yessica Sandybel Garduño Espinoza, Universidade Autônoma da Baixa Califórnia, Ensenada, México.

Doutora em Gestão e Política Educacional. Mestre em Ciências Educacionais e Licenciada em Ciências da Educação. Atua como professora-pesquisadora em tempo integral na Faculdade de Ciências Administrativas e Sociais da Universidade Autônoma da Baixa Califórnia, possui perfil qualificado pelo PRODEP e é membro do corpo acadêmico “Processos educacionais, avaliação e contexto”. Coordena o programa educacional do curso de Licenciatura em Ciências da Educação da Faculdade de Ciências Administrativas e Sociais da UABC. Membro do Sistema Nacional de Pesquisadoras e Pesquisadores no nível de candidata. Colaborou em diversas publicações, incluindo capítulos de livros, artigos e comunicações em congressos.

Referências

Álvarez-Roldan, A. (2025). Análisis temático de textos con R. Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.15667595
Aparicio-Gómez, O. & Aparicio-Gómez, W. (2024). Innovación educativa con sistemas de aprendizaje adaptativo impulsados por Inteligencia Artificial. Revista Internacional de Pedagogía e Innovación Educativa, 4(2), 343-363. https://doi.org/10.51660/ripie42222
Aparicio-Gómez, W. (2023). La inteligencia artificial y su incidencia en la educación: Transformando el aprendizaje para el siglo XXI. Revista internacional de pedagogía e innovación educativa: RIPIE, 3(2), 217-229. https://doi.org/10.51660/ripie.v3i2.133
Arbeláez, S., & Onrubia, J. (2014). Estrategias de andamiaje en entornos virtuales de aprendizaje. En Díaz, F. (2018). Educación y tecnología. Editorial Académica.
Area Moreira, M., Guarro Pallás, A., Marrero Acosta, J. & Sosa Alonso, J. J. (2022). La transformación digital de la docencia universitaria. Profesorado, Revista De Currículum y Formación del Profesorado, 26(2), 1–5. (https://revistaseug.ugr.es/index.php/profesorado/article/view/25560)
Ayuso del Puerto, D. & Gutiérrez Esteban, P. (2022). La Inteligencia Artificial como recurso educativo durante la formación inicial del profesorado. RIED-Revista Iberoamericana de Educación a Distancia, 25(2), 347–362. https://doi.org/10.5944/ried.25.2.32332
Bentz, V. M., & Shapiro, J. J. (1998). Mindful inquiry in social research. Sage Publications.
Braun, V., & Clarke V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77–101. https://doi.org/10.1191/1478088706qp063oa
Cerón-Garnica, C., Fernández Pérez, J., Archundia Sierra, E. & Flores Santos, A. (2024). Herramientas de la inteligencia artificial en la práctica docente en educación media superior. Tecnología Educativa Revista CONAIC, 11(1), 67-72. https://www.terc.mx/index.php/terc/article/view/381
Charmaz, K. (2014). Constructing grounded theory. Sage Publications.
Cordón García, O. (2023). Inteligencia Artificial en Educación Superior: Oportunidades y Riesgos. RiiTE Revista interuniversitaria de investigación en Tecnología Educativa, (15), 16–27. https://doi.org/10.6018/riite.591581
Denzin, N. K., & Lincoln, Y. S. (2018). The SAGE handbook of qualitative research (5th ed.). Sage Publications.
Díaz-Herrera, C. (2018). Investigación cualitativa y análisis de contenido temático. Orientación intelectual de revista Universum. Revista General de Información y Documentación, 28(1), 119-142. https://doi.org/10.5209/RGID.60813
Eisner, E. W. (1998). The enlightened eye: Qualitative inquiry and the enhancement of educational practice. Prentice Hall.
Etikan, I., Musa, S. A. & Alkassim, R. (2016). Comparison of convenience sampling and purposive sampling. American journal of theoretical and applied statistics, 5(1), 1-4. https://doi.org/10.11648/j.ajtas.20160501.11
Flick, U. (2007). Designing qualitative research. Sage Publications.
García Peña, V., Mora Marcillo, A. & Ávila Ramírez, J. (2020). La inteligencia artificial en la educación. Dominio de las Ciencias, 6(3), 648–666. https://doi.org/10.23857/dc.v6i3.1421
Guamán Inga, L., Quezada Ureña, S., López Fernández, R. & Gómez Rodríguez, V. (2023). Programa de capacitación para la actualización sobre Inteligencia Artificial como herramienta didáctica en los docentes. MQR Investigar, 7(4), 1721–1738. https://doi.org/10.56048/MQR20225.7.4.2023.1721-1738
Guest, G., MacQueen, K. M., & Namey, E. E. (2012). Applied thematic analysis. Sage Publications. https://doi.org/10.4135/9781483384436
Hernández Escobar, A., Ramos Rodríguez, M., Placencia López, B., Indacochea Ganchozo, B., Quimis Gómez, A., & Moreno Ponce, L. (2018). Metodología de la investigación científica (Vol. 15). 3Ciencias. http://dx.doi.org/10.17993/CcyLl.2018.15
Jiménez Builes, J. A., & Ovalle Carranza, D. A. (2008). Uso de técnicas de inteligencia artificial en ambientes distribuidos de enseñanza/aprendizaje. Revista Educación En Ingeniería, 3(5), 98–106. https://doi.org/10.26507/rei.v3n5.156
Jiménez Ramírez, C. R., Martínez Aguirre , E. G., Zárate Depraect, N. E., & Grijalva Verdugo, A. A. (2024). Adopción de la Inteligencia Artificial en la enseñanza: perspectivas de docentes de Educación Superior. REVISTA PARAGUAYA DE EDUCACIÓN A DISTANCIA (REPED), 5(2), 5–16. https://doi.org/10.56152/reped2024-dossierIA1-art1
Krippendorff, K. (2013). Content analysis: An introduction to its methodology (3rd ed.). Sage Publications.
Losito, B. (1993). La investigación cualitativa en educación. En Díaz, F. (2018). Educación y tecnología. Editorial Académica.
Marradi, A., Archenti, N., & Piovani, J. (2007). Metodología de las ciencias sociales. En Díaz, F. (2018). Educación y tecnología. Editorial Académica.
Mayring, P. (2000). Qualitative content analysis. Forum: Qualitative Social Research, 1(2), Art. 20.
Nivela Cornejo, M. & Echeverría Desiderio, S. (2024). Desafíos y Perspectivas de la Inteligencia Artificial en la Educación Superior. Código Científico Revista de Investigación, 5(1), 1446-1464. https://doi.org/10.55813/gaea/ccri/v5/n1/463
Ocaña Fernández, Y., Valenzuela Fernández, L. A., & Garro Aburto, L. L. (2019). Inteligencia artificial y sus implicaciones en la educación superior. Propósitos y representaciones, 7(2), 536-568. https://dx.doi.org/10.20511/pyr2019.v7n2.274
Real-Torres, C. (2019). Materiales Didácticos Digitales: un recurso innovador en la docencia del siglo XXI. 3C TIC. Cuadernos de desarrollo aplicados a las TIC, 8(2), 12-27. http://dx.doi.org/10.17993/3ctic.2019.82.12-27
Romero-Chaves, C. (2005). La categorización un aspecto crucial en la investigación cualitativa. Revista de investigaciones Cesmag, 11(11), 113-118. https://biblioteca.unicesmag.edu.co/digital/revinv/0123-1340v11n11pp113.pdf
Sanabria Navarro, J., Silveira Pérez, Y., Pérez Bravo, D., & Cortina Núñez, M. (2023). Incidencias de la inteligencia artificial en la educación contemporánea. Comunicar: Revista Científica de Comunicación y Educación, 31(77), 97-107. https://doi.org/10.3916/C77-2023-08
Sánchez Vera, M. (2024). La inteligencia artificial como recurso docente: usos y posibilidades para el profesorado. Educar, 60(1), 33-47. https://doi.org/10.5565/rev/educar.1810
Schreier, M. (2012). Qualitative Content Analysis in Practice. Sage Publications. https://doi.org/10.4135/9781529682571
Sosa de Wood, P., Jiménez Chaves, V., & Riego Esteche, A. (2024). El análisis de la percepción de los profesores respecto al uso de la Inteligencia Artificial. Revista EDUCA UMCH, (24), 66–77. https://doi.org/10.35756/educaumch.202424.293
Stella Serrano, C. (2023). La llegada de la inteligencia artificial y el problema de la evaluación en la docencia universitaria. El sistema educativo en crisis. Encuentros multidisciplinares. http://hdl.handle.net/10486/711916
Tomalá De La Cruz, M., Mascaró Benites, E., Carrasco Cachinelli, C. G. & Aroni Caicedo, E. (2023). Incidencias de la inteligencia artificial en la educación. RECIMUNDO, 7(2), 238-251. https://doi.org/10.26820/recimundo/7.(2).jun.2023.238-251
Transparencia UAS (2025). Matrícula Escolar. Transparencia y acceso a la información de la Universidad Autónoma de Sinaloa. http://transparencia.uasnet.mx/2023/?seccion=3&subseccion=2
UNESCO (2024). AI competency framework for teachers. https://doi.org/10.54675/ZJTE2084
Vera, F. (2023). Integración de la Inteligencia Artificial en la Educación superior: Desafíos y oportunidades. Transformar, 4(1), 17–34. Recuperado a partir de https://www.revistatransformar.cl/index.php/transformar/article/view/84
Vygotsky, L. S. (1978). Mind in society: The development of higher psychological processes. Harvard University Press.
Publicado
2026-05-30
Como Citar
Grijalva Verdugo, A. A., Jiménez Ramírez, C. R., Soto Decuir, M. G., Ramírez Gámez, J. J., & Garduño Espinoza, Y. S. (2026). Inteligência artificial generativa no ensino universitário: percepções, aplicações práticas e desafios éticos e pedagógicos. Revista Educação Superior E Sociedade (ESS), 37(2), 308-326. https://doi.org/10.54674/ess.v37i2.1110