Sobre a reprodução invisibilizada da formação de profissionais com viés sexista: desafios para universidades equitativas

Palavras-chave: Sexismo, Universidade, Interseccionalidade, Reprodução da Desigualdade, Políticas de Gênero

Resumo

Este artigo analisa a reprodução invisibilizada do preconceito sexista na formação profissional nas universidades argentinas, com foco no papel daqueles que implementam programas de gênero e diversidade. A partir de uma perspectiva crítica feminista e interseccional, a pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa, triangulando dados estatísticos nacionais e institucionais, análises documentais de políticas e a reflexão derivada da prática profissional. Os resultados revelam que, apesar da maioria feminina nas matrículas, persistem a segregação vertical (teto de vidro) e horizontal (baixa presença em STEM), influenciadas por estereótipos e por um habitus de gênero que condiciona a relação com o conhecimento. O estudo destaca como as universidades, enquanto dispositivos sociais, reproduzem a violência estrutural e como se manifestam as múltiplas desigualdades, incluindo a invisibilização das experiências trans nos registros. Embora sejam reconhecidos avanços institucionais, como protocolos e capacitações (Lei Micaela), ressalta-se que estes se revelam insuficientes sem uma profunda mudança cultural e um compromisso institucional mais amplo. O artigo conclui que desmantelar o sexismo requer ação coletiva, “reeducar” com perspectiva de gênero, fortalecer redes de apoio e garantir que as universidades sejam espaços equitativos e livres de violência, um desafio constante diante de cenários de retrocesso dos direitos. Destaca-se a necessidade de transformar as estruturas para garantir um ensino superior que não reproduza a discriminação.

Biografias Autor

Florencia Uribe Galleguillo, Universidade Nacional da Patagônia Austral – Santa Cruz, Argentina

Professora de Ciências da Educação. Professora do ensino médio e assistente de ensino universitário na área de Sociedade e Estado. Exerceu o cargo de diretora do Programa de Gêneros e Diversidade da UNPA UACO no período de 2023 a 2025, coordenando políticas de visibilidade, apoio e conscientização sobre desigualdades de gênero, diversidades sexuais e direitos humanos no âmbito universitário e comunitário. Atualmente, cursa o Doutorado em Estudos Contemporâneos em Educação na UNRN. Interessada na experiência das mães estudantes universitárias.

Lucrecia A. Sotelo, Universidade Nacional da Patagônia Austral – Santa Cruz, Argentina

Doutora em Comunicação Social (UNLP) e pós-doutoranda em Ciências Sociais (UNC), residente na Patagônia Austral, Argentina. Professora associada e pesquisadora da Universidade Nacional da Patagônia Austral (UNPA) e do CIT Santa Cruz (CONICET-UNPA-UTN). Categoria III do Programa de Incentivos a Docentes-Pesquisadores. Coordena a Rede de Estudos sobre os Inícios da Vida Universitária (REIVU). Dirige projetos de pesquisa sobre desigualdades educacionais, alfabetização acadêmica e justiça espacial no ensino superior em territórios de baixa densidade populacional. E-mail: lsotelo@uaco.unpa.edu.ar

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Publicado
2026-05-30
Como Citar
Uribe Galleguillo, F., & Sotelo, L. A. (2026). Sobre a reprodução invisibilizada da formação de profissionais com viés sexista: desafios para universidades equitativas. Revista Educação Superior E Sociedade (ESS), 37(2), 430-443. https://doi.org/10.54674/ess.v37i2.1034